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Declaração de amor a São Paulo

Starbucks

“Isso dava um conto” já dizia a outra, sobre o acontecimento do meu dia que eu acabara de narrar.

Quando o peito está cheio e confuso, a vida parece fazer sentido. Quando a vida estaca, a aflição toma conta.

Passei a vida inteira fugindo fisicamente da acomodação, e São Paulo me salvou. Aqui, antes que eu me acomode a cidade já arremessou-me ao ar novamente e fico como uma pecinha de Aquaplay girando freneticamente.

Frenético é o adjetivo da cidade. Só aqui um turbilhão de emoções diárias faz com que sinta-me com mais cem anos nas costas ao final de cada dia. E isso é ótimo, adoro isso de envelhecer. Cada vez que começo lentamente a assentar no fundo da garrafa a vida sacode tudo de uma maneira grotesca e me afronta, coloca o dedo na minha cara e diz: quero ver sair dessa.

E pânico, surto e dores musculares depois ja estou eu quase pronta para assentar de novo.

Assim desenvolvi uma nova habilidade, o de girar no ar como uma pipa sem rabiola e ao mesmo tempo assentar.

Consigo girar assentadamente, e se isso não é maturidade, é o mais próximo que tenho dela. É o que tem pra hoje. Adoro essa possibilidade de estar completamente doida e tranquila em setores distindos porém interligados da minha vida.

Dá uma sensação esquizofrênica que me agrada muito, faz sentir-me livre. Nada consegue transmitir tanta pureza e liberdade como a bagunça, o caos, a destruição. Aí eu visualizo espaço para criar, recomeçar, rearranjar. A organização está pronta, não depende de mim para nada. Apenas quando tudo rui é que as idéias mais loucas serão aceitas, pessoas inesperadas serão ouvidas e a implementação será rápida, com urgência, pois não existe estabilidade nem tempo.

Janis Joplin disse que liberdade é não ter mais nada a perder.

Não acho esta declaração triste ou sem esperanças, justamente o contrário, entendo perfeitamente seu significado.

Mais de uma vez abandonei tudo o que tinha e fui embora sem expectativas para um lugar físico novo, adorando. Hoje sou feliz por ter encontrado um lugar físico que é tão incrivel que consegue reiniciar-me mudando apenas o meu lugar espiritual. Posso continuar com os pés bem fincados no concreto, posso fazer projetos, pensar no futuro, sem medo de assentar, São Paulo não deixa.

São Paulo me ama, e eu amo ela.