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SuburbAna

Para @hijanuou

Depois de um dia cansativo ela está com a moral baixa e a bolsa pesada. Considera não ir para casa. Não o congestionamento novamente!

Ela tenta esperar o rush dos carros passar, mas a vontade de um chuveiro quente e uma cama amiga é maior. Compra uma bebida e segue para a resignação fedorenta do transporte público.

Quando o primeiro ônibus encosta ela adentra com a raiva e a ansiedade de quem está pronta para empurrar e ser empurrada, mas sua investida não encontra vítima. O carro está vazio.

Desconfiada, ela paga e senta em um banco alto, com a bolsa sobre os joelhos, observando.

E então acontece. Como um cometa Halley, uma conjunção de fatores rara e sublime: um motorista com pressa e avenidas vazias.

O ônibus acelera e o motor ronca alto, as curvas quase atiram a passageira para fora do banco e reviram mais ainda os cabelos que já voam felizes com o vento que entra por todas as janelas.

A noite está fresca e agradável naquela Rebouças onde semana passada o mesmo ônibus ficara duas horas engarrafado.

Mas hoje não.

Hoje é vento e felicidade abrindo o peito. É bom estar viva.

Ah. Os pequenos prazeres suburbanos!

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Essa gente que cresceu fazendo biquinho no espelho do banheiro

Este texto é um spoiler do filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild).

 

Quem assiste “Na Natureza Selvagem” termina o filme com a sensação de ter levado um soco, bem na boca do estômago. O filme fala sobre nossa busca pela felicidade.

Ele conta a história real de um cara que corria solo atrás da sua felicidade, e quando se dá conta de que estava correndo na direção errada, já é tarde demais.

A sensação ruim que ficamos ao filme acabar é por isso: sabemos que estamos correndo. E se um dia olharmos para trás e chegarmos a conclusão de que viramos na esquina errada lá no começo e desde então não temos feito nada a não ser nos afundarmos mais e mais na nossa própria perdição? Temos corrido desesperadamente para longe da felicidade?

O personagem do filme decide viver uma vida sem pessoas, acreditando que a felicidade não estava em outros humanos, mas sim na ausência deles. Somos comovidos pela história porque o individualismo impera nas relações atuais, principalmente na internet. E nos identificamos com o moço do filme. Quanto mais fundo na internet a pessoa vive, menos aberta ela está para outros serem humanos.

Fica fácil ter amigos virtuais que vivem a milhares de quilometros, ter encontros sexuais furtivos em salas de bate papo na madrugada, ter milhares de seguidores no twitter e chamar isso de vida.

E nas relações humanas, presenciais, o que conta é o prazer imediato, é encontrar alguém que nos ache tão incrível quanto nossos milhares de amigos virtuais acham. Se não der certo a fila anda, pegue a senha, mulher é que nem biscoito, come uma vem mais oito, iguais a você eu conheço mais de cem, etc.

Somos convencidos pela pseudo glória da internet que a cada esquina existe um par perfeito, uma pessoa maravilhosa e que ainda acha que somos perfeitas para ela. O elogio fácil feito para semi desconhecidos convenceu uma geração Mari Moon que suas fotos no Fotolog são ***DeeMaiSsS!! Me aDD! :D###***. Essa gente que cresceu fazendo biquinho no espelho do banheiro para ser chamada de gostosa entrou na vida adulta sentindo-se PHODA e ligando cada vez menos para quem está ao seu lado.

Será que um dia vamos descobrir que as escolhas que fizemos a favor da carreira, do dinheiro e da glória não valem nada, porque as pessoas que gostaríamos de ter ao nosso lado para compartilhar já não estão mais lá?

Até que ponto se afastar da família, dos amigos, da pessoa que te ama vai valer a pena quando você chegar “lá”? Será que o “lá” vai ser um lugar vazio, e que vamos lamentar não ter parado antes, ter nos contentado com menos e ter aproveitado mais a companhia das pessoas? Será que, no fim das contas, a vida não é isso?

Aposto que você tem planos para a sua carreira daqui a dez anos, mas, e a sua vida pessoal? Como vai estar? Separado, sozinho, desconfiado e amargo? Já cansado de tudo e sem forças para recomeçar, você entende o que o personagem de Into the Wild descobriu: A felicidade só é real quando é compartilhada.

Recomendo a todos o filme. Não traz respostas, mas faz as perguntas certas.

Você sabe ser solteiro? e comprometido? Às vezes é mais complicado do que parece.

Conversando com meus amigos fui reparando que existem várias maneiras distintas de encarar a vida a dois, e que algumas pessoas são viciadas em certa maneira de se comportar. Podemos ser divididos em três grupos, quando nos referimos a status de relacionamento: eternos comprometidos, eternos solteiros e intercaladores. Descubra qual é o seu:

Eternos comprometidos

Os eternos comprometidos somente enxergam a si mesmos através dos olhos do outro. Sem uma pessoa para completá-lo este indivíduo perde a identidade. Ele emenda um namoro no outro desde a adolescência, sem nunca passar um período só. Quando um relacionamento começa a ir mal, conscientemente ou não este indivíduo já começa a se interessar por outras pessoas, e só quando encontra alguém interessante é que toma coragem para terminar o relacionamento anterior.

Quando um eterno comprometido acaba acidentalmente solteiro (a decisão do rompimento não foi dele) ele entra em pânico e sobram três alternativas: implorar para reatar, sair com várias pessoas indiscriminadamente até encontrar uma que tope namorar e, se nada der certo, ficar profundamente deprimido.

No caso de reatar ou namorar o primeiro que aparecer, ele está só tapando um buraco. Nas duas opções o comprometido vai buscar novas pessoas enquanto namora e, quando encontrar, descartará o parceiro tapa-buraco. O problema de ser assim é magoar pessoas nesse período de transição.

Lembrou de alguém? Tem mais, continue lendo!

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A fina arte de ser mulher: coisas que os homens não entendem

Diva

Apesar de todos os avanços do feminismo, ser mulher ainda requer algumas sutilizas que o masculino dispensa. Estou sempre refletindo a respeito, apesar de não falar no assunto com freqüência para não aborrecer os outros. Mas hoje estou com vontade.

Minha irmã está analisando a possibilidade de começar um pequeno empreendimento com algumas amigas. O pai de uma delas declarou que não era uma boa idéia, por ser um grupo formado apenas por mulheres. Pessoalmente consigo listar uma dúzia de motivos para se pensar duas vezes antes de começar qualquer negócio. Pelo menos doze razões para não tentar, e nenhuma delas envolve questões de gênero.

Entristece-me quando esse tipo de argumento ainda é utilizado. Nunca neguei que homens e mulheres são diferentes e lutam por seus objetivos de maneiras distintas, mas não duvido da capacidade de ninguém de obter sucesso.

Na minha profissão sofri o clichê de ter uma indicação condicionada a sexo. Ao negar, ouvi barbaridades, como a que logo vou estar feia e velha e ninguém vai me querer e estou desperdiçando uma ótima oportunidade de crescimento. Homens não precisam passar por esse tipo de situação. Mulheres passam, e muitas aceitam e “aproveitam”.

Mais um exemplo de diferença: ser mulher me impede de ter um blog e falar abertamente de sexo. Nunca poderia escrever um texto tipo “10 dicas de como fazer sexo oral”, como muitos textos que circulam na internet, e esperar ser tratada da mesma forma como homens que escrevem isso. Para os homens é ok, é normal, mesmo que ainda traga alguns estigmas e até um pouco de preconceito. Para as mulheres é simplesmente impossível. Ou a garota teria um estilo de vida completamente moderno e “maluquinho”, baseado na sua sexualidade, ou afundariam suas chances no ambiente corporativo.

Mulheres, portanto, são obrigadas a usar subterfúgios, diminutivos, justificativas e pseudônimos para situações que para os homens são corriqueiras. E para muitos deles isso passa batido. Já escutei homens declararem por aí que as mulheres são iguais aos homens em algumas situações. Bobagem. Nunca serão!

Criaturas que desde cedo são reprimidas em relação sexo e a cocô desenvolvem-se muito diferente das demais. O preconceito diz que mulheres são mais ardilosas. Claro! Uma criança que não pode dizer que vai ali fazer cocô e já volta começa a entender que na vida muitas situações, por mais simples e cotidianas, para ela serão pequenos dramas e exercícios de “jeitinho” e jogo de cintura. Logo essa fina arte torna-se intrínseca a nós e é aplicada com mais ou menos critério em todas as situações.

E os homens, ao mesmo tempo que negam o preconceito e a opressão, sentem-se confotabilíssimos na posição de super homens e protetores, e repudiam qualquer pequena insurreição. Uma pequena menção a cocô no meio de um texto ainda causa mal estar. E aí vem aquele comentário carinhoso, avisando para o meu próprio bem que não é legal citar isso como exemplo em um texto.

Muito do comportamento feminino não acontece porque a mulher prefere assim, mas porque dá menos trabalho do que bater de frente. Grande parte das mulheres são seres bastante escrotos quando estão sozinhas. Como os homens, elas dão o melhor de si para impressionar o sexo oposto. A diferença é que os homens assumem a escrotidão com orgulho, mesmo que a reprimam diante das companheiras. Para as mulheres não basta estar bem naquele momento, é necessário fazer crer que são assim o tempo todo.

Gosto da minha condição de mulher. Muitas vezes na minha infância e adolescência desejei ser menino, poder agir como eles e não precisar de tanta frescura. Demorou até eu fazer as pazes com meu gênero. Isso aconteceu quando eu vi que os preconceitos que eram apresentados a mim em uma cidade interiorana eram problema de quem os pregava, e não meus. Quando entendi que posso fazer tudo o que quiser, da maneira que preferir, minha raiva passou.

Ganhei o mundo e saí da minha cidade natal, mas fi-l0 porque qui-lo, não porque era a minha única possibilidade. Em qualquer lugar é possível desenvolver um talento, basta querer. Fugir não resolve, apenas ganha tempo para lidar com a situação. Aprendi que para ter os direitos masculinos não é necessário emular as características negativas associadas a eles, como muitas mulheres pensam. Basta ser muito mulher e acreditar em si.

Ser mulher compreende lidar com mais conseqüências, ter que se provar mais, sofrer mais dor física. Mas também traz liberdade. Entender as agruras do meu gênero não é ignorar as do outro. E hoje acho que, com os estigmas que recebemos ao longo da vida, as mulheres são mais livres que os homens. Na infância aprendemos a ter vergonha de nossos intestinos enquanto eles usam fantasias de super-homem. Para nós, o eterno negar nossos instintos primitivos. Para eles, a frustração infinita de não ter salvo o mundo.