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O Retrato de Dorian Gray – o filme

Fui assistir a exibição para imprensa do filme O Retrato de Dorian Gray. O filme é baseado no livro de Oscar Wild, de 1890, e a história não poderia ser mais atual: vaidade, hedonismo, aparências.

A história:

Dorian Gray é um moço ingênuo do interior, que vai para Londres após receber uma grande herança. Lá ele conhece Basil, um pintor que se apaixona por sua beleza e pureza de caráter. Basil resolve pintar o retrato de Dorian, e durante a execução da pintura Dorian acaba conhecendo Henry Wotton, um lorde ácido e debochado, amigo de Basil.

Henry começa a tentar “desvirtuar” Dorian, a princípio apenas para irritar Basil, mas ao ver que Dorian acredita em absolutamente tudo o que ele fala, Wotton se diverte ao levar o moço cada vez mais longe em suas perversões e cinismo, para o desespero de Basil.

Dorian Gray só se dá conta de sua beleza atordoante quando vê pronto o quadro pintado por seu amigo. Henry debocha do seu embevecimento pela pintura argumentando que ela era melhor do que o verdadeiro Dorian, porque ele envelheceria, mas a pintura não. Dorian Gray diz que venderia a alma ao Diabo para não envelhecer nem um só dia.

A partir deste momento, todas as cicatrizes, manchas e deformações causadas pelos vícios apresentados pelo Lorde a Dorian Gray mancham a pintura, mas o jovem continua sempre com o rosto de quem nunca teve um pensamento cruel na vida. Por despeito à juventude e beleza de Gray, Henry o incentiva a buscar o prazer acima de tudo, a não se importar com nada nem ninguém e considerar todo o mal feito a outros apenas uma “experiência”.

Quando Gray decide viajar o mundo em busca de novas perversões e prazeres Lord Henry se recusa a acompanhá-lo. Ele próprio não tem coragem de viver a vida que pregava a Dorian. Mas Dorian vai, e retorna vinte e cinco anos depois, para encontrar seus amigos grisalhos e velhos, enquanto ele continua com todo o frescor da juventude no rosto.

Mas agora o jovem e belo Dorian é uma ameaça ao velho Henry, e tudo o que ele fez para corromper o moço inocente volta, trazendo a lei do eterno retorno para cobrar seu preço, quando a filha de Henry apaixona-se por Dorian.

Reflexões:

A história fascinante traz várias reflexões:

–  Não estaria o valor da beleza justamente em sua transitoriedade?

– Sobre Lorde Wotton, a questão é: quantas pessoas conhecemos que são rebeldes apenas até a página dois? Que agem e falam como se vivessem a vida louca, mas ao fim do dia voltam para suas famílias de classe média para se preocupar com as prestações e o colégio das crianças?

– Manter o mesmo rosto não significa isolar a alma do apodrecimento do crime e dos vícios. Os anos mudam quem você é. Se você aceitar pode fazer o melhor disto, ou pode tentar viver para sempre como jovem, e, na busca pelas mesmas sensações novas e intensas do começo da vida, se perder nos excessos. Para este caminho não há volta.

Sobre a adaptação

Pessoalmente, achei o roteiro bastante fiel ao livro e não me importei com o acréscimo de um “background”, um passado para Dorian. No filme ele é apresentado como um jovem que era espancado pelo avô, como uma explicação para seu mergulho nos vícios (seria para esquecer o abuso sofrido ou porque tinha a mesma predisposição genética para a violência e o crime?).

As viagens de Dorian são descritas com Henry lendo as cartas enviadas pelo amigo de vários cantos do mundo. Talvez para economizar tempo, talvez dinheiro. Eu gostaria que as viagens tivessem sido mais exploradas no filme.

Na minha interpretação pessoal do livro, sempre achei que Dorian era apaixonado por Lord Henry, e por isso entregou-se tão facilmente a todas as suas perversões, mas o filme não faz esta insinuação. Inclusive, mostra Henry bem hétero. Estranho.

Imagino que Oscar Wild ia achar as cenas de secanagem extremamente sessão da tarde. Era um filme que podia pegar mais pesado e acaba ficando só na insinuação.

No geral, gostei muito da adaptação. Vale a pena assistir.

Ficha técnica

“O RETRATO DE DORIAN GRAY” foi dirigido por Oliver Parker, a partir do roteiro de Toby Finlay,  baseado no romance de Oscar Wilde.

BEN BARNES (As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian) assume o papel principal como Dorian Gray e é acompanhado por COLIN FIRTH (O Diário de Bridget Jones) como o carismático Henry Wotton. BEN CHAPLIN (Além da Linha Vermelha) é o pintor Basil.

Estará nos cinemas a partir de março, distribuído pela Europa Filmes.

Trailler:



Essa gente que cresceu fazendo biquinho no espelho do banheiro

Este texto é um spoiler do filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild).

 

Quem assiste “Na Natureza Selvagem” termina o filme com a sensação de ter levado um soco, bem na boca do estômago. O filme fala sobre nossa busca pela felicidade.

Ele conta a história real de um cara que corria solo atrás da sua felicidade, e quando se dá conta de que estava correndo na direção errada, já é tarde demais.

A sensação ruim que ficamos ao filme acabar é por isso: sabemos que estamos correndo. E se um dia olharmos para trás e chegarmos a conclusão de que viramos na esquina errada lá no começo e desde então não temos feito nada a não ser nos afundarmos mais e mais na nossa própria perdição? Temos corrido desesperadamente para longe da felicidade?

O personagem do filme decide viver uma vida sem pessoas, acreditando que a felicidade não estava em outros humanos, mas sim na ausência deles. Somos comovidos pela história porque o individualismo impera nas relações atuais, principalmente na internet. E nos identificamos com o moço do filme. Quanto mais fundo na internet a pessoa vive, menos aberta ela está para outros serem humanos.

Fica fácil ter amigos virtuais que vivem a milhares de quilometros, ter encontros sexuais furtivos em salas de bate papo na madrugada, ter milhares de seguidores no twitter e chamar isso de vida.

E nas relações humanas, presenciais, o que conta é o prazer imediato, é encontrar alguém que nos ache tão incrível quanto nossos milhares de amigos virtuais acham. Se não der certo a fila anda, pegue a senha, mulher é que nem biscoito, come uma vem mais oito, iguais a você eu conheço mais de cem, etc.

Somos convencidos pela pseudo glória da internet que a cada esquina existe um par perfeito, uma pessoa maravilhosa e que ainda acha que somos perfeitas para ela. O elogio fácil feito para semi desconhecidos convenceu uma geração Mari Moon que suas fotos no Fotolog são ***DeeMaiSsS!! Me aDD! :D###***. Essa gente que cresceu fazendo biquinho no espelho do banheiro para ser chamada de gostosa entrou na vida adulta sentindo-se PHODA e ligando cada vez menos para quem está ao seu lado.

Será que um dia vamos descobrir que as escolhas que fizemos a favor da carreira, do dinheiro e da glória não valem nada, porque as pessoas que gostaríamos de ter ao nosso lado para compartilhar já não estão mais lá?

Até que ponto se afastar da família, dos amigos, da pessoa que te ama vai valer a pena quando você chegar “lá”? Será que o “lá” vai ser um lugar vazio, e que vamos lamentar não ter parado antes, ter nos contentado com menos e ter aproveitado mais a companhia das pessoas? Será que, no fim das contas, a vida não é isso?

Aposto que você tem planos para a sua carreira daqui a dez anos, mas, e a sua vida pessoal? Como vai estar? Separado, sozinho, desconfiado e amargo? Já cansado de tudo e sem forças para recomeçar, você entende o que o personagem de Into the Wild descobriu: A felicidade só é real quando é compartilhada.

Recomendo a todos o filme. Não traz respostas, mas faz as perguntas certas.

Será que não é hora de amadurecer? Aprenda a amar e ser amado

amar e ser amado

The greatest thing
You will ever learn
Is just to love
And be loved in return

Parece que muita gente já descobriu. Eden Ahbez disse nesta letra ali em cima, sucesso no filme Moulin Rouge. Herbert Viana também cantou que “saber amar é saber deixar alguém te amar”. São tantas outras músicas e poemas sugerindo uma “ajudinha” para o amor… e parece que mesmo assim é difícil entender.

A gente cresce ouvindo muita besteira dos adultos, e uma delas é o velho consolo “quem for gostar de você deve gostar exatamente de quem você é”. Depois crescemos e nossas amigas falam que o cara que deu o fora é um babaca por não querer uma pessoa tão maravilhosa.  Se você vêm escutando há anos da família e amigos que é uma pessoa maravilhosa, mas ainda está solteiro(a) mesmo querendo um relacionamento, será que não é o caso de pensar que, embora você tenha muito a oferecer, ainda não aprender a ser amado?

Porque, sim, SER amado exige quase tanto esforço quanto amar.

Já não lembro mais onde eu vi, se em filme ou livro, uma frase incrível: “Por que é tão difícil te amar? Me apaixonar foi tão fácil…” Eu já senti isso, e sei que você também. Quando a gente ama e se magoa, esta é a primeira sensação que aparece. Esta é a parte fácil. Difícil mesmo é apontarmos a análise para a própria barriga e ver como a gente dificulta as coisas para o outro.

Nós já sabemos enumerar o que é o companheiro perfeito também sabemos que a nossa dignidade e bem estar está acima de tudo e todos, mas isto não é desculpa para tratar o outro da maneira que VOCÊ decidir que é melhor para ele, e depois ainda achar ruim quando as coisas não derem certo.

Ninguém disse que o amor precisa ser fácil para ser verdadeiro. Nem fácil, nem simples nem rápido. Se a pessoa vale a pena, ou parece valer a pena, temos que nos dedicar a ela como a um “case” no trabalho. Ou ainda, se você gostaria que sua vida amorosa fosse totalmente diferente, que tal começar a mudança de dentro para fora?

Veja algumas sugestões:

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Garotas estúpidas: a pressão masculina e a bissexualidade na adolescência

garota

Assisti ontem o filme A Rede Social, sobre o criador do Facebook, Mark Zuckerberg. No início do filme Mark está desesperado para entrar para uma espécie de fraternidade de Harvard, e o filme mostra os bundões que já fazem parte da tal fraternidade dando uma festa e escolhendo na porta as meninas que poderão entrar. Lá dentro elas tiram a roupa, sobem nas mesas, requebram, e os bundões só curtindo.

Estas cenas me fizeram refletir sobre como existem meninas estúpidas que fazem qualquer coisa para serem aceitas por caras mais estúpidos ainda.

Não sou nenhuma catequista, não condenarei as meninas que sobem no palco, nem as que arrancam a roupa. Acho válido se a intenção é diversão e massagem no ego. Acredito que existam pessoas que curtem mesmo fazer bafão, então vai aí.

Mas infelizmente a realidade não é bem assim. Vi muita menina passar por cima da própria vontade para fazer bonito no grupo dos riquinhos. Assim, aliás, é que muitos jovens acabam viciando-se em drogas. É para chamar atenção também que muitas meninas começam a beijar outras meninas.

Talvez este texto esteja começando a soar mais reacionário do que eu gostaria, então vamos explicar:

Um dia perguntei para uma amiga, lésbica e mais velha, o que ela achava desta quase totalidade de adolescentes bissexuais de hoje: “Palhaçada.” Trinta anos atrás as meninas que gostavam de meninas forçavam-se a ficar com garotos para se encaixar. Hoje, a menina que não quer beijar a colega na boca é uma CDF sem graça. Violentar a própria sexualidade, para qualquer lado que seja, é uma lástima.

Se um dia a pessoa sentir vontade de experimentar, uma vontade verdadeira, ela provavelmente vai querer ter esta experiência de forma privada, e não em cima do balcão da balada, sem blusa. Usar a própria sexualidade como argumento de venda e convencimento não é legal. NOT COOL.

E depois: quem são esses babacas? Meninas e mulheres precisam aprender a se valorizar. Não dá para ter um paixonite por qualquer idiota e aceitar as “condições” dele para ficar com você. “Só beijo você se você beijar fulana.” Ah é? Então vaza. Tem que formar uma fila na porta para um retardado feioso escolher quem é gostosa o suficiente para entrar na festa? To fora, eu é que não quero entrar aqui!

Estas parecem conclusões tão simples e óbvias, não é mesmo? Então por que ainda tem tanta menina caindo nesse papo? Minha avó já dizia: antes só do que mal acompanhada!

Você sabe ser solteiro? e comprometido? Às vezes é mais complicado do que parece.

Conversando com meus amigos fui reparando que existem várias maneiras distintas de encarar a vida a dois, e que algumas pessoas são viciadas em certa maneira de se comportar. Podemos ser divididos em três grupos, quando nos referimos a status de relacionamento: eternos comprometidos, eternos solteiros e intercaladores. Descubra qual é o seu:

Eternos comprometidos

Os eternos comprometidos somente enxergam a si mesmos através dos olhos do outro. Sem uma pessoa para completá-lo este indivíduo perde a identidade. Ele emenda um namoro no outro desde a adolescência, sem nunca passar um período só. Quando um relacionamento começa a ir mal, conscientemente ou não este indivíduo já começa a se interessar por outras pessoas, e só quando encontra alguém interessante é que toma coragem para terminar o relacionamento anterior.

Quando um eterno comprometido acaba acidentalmente solteiro (a decisão do rompimento não foi dele) ele entra em pânico e sobram três alternativas: implorar para reatar, sair com várias pessoas indiscriminadamente até encontrar uma que tope namorar e, se nada der certo, ficar profundamente deprimido.

No caso de reatar ou namorar o primeiro que aparecer, ele está só tapando um buraco. Nas duas opções o comprometido vai buscar novas pessoas enquanto namora e, quando encontrar, descartará o parceiro tapa-buraco. O problema de ser assim é magoar pessoas nesse período de transição.

Lembrou de alguém? Tem mais, continue lendo!

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Reticências

E Carmem cansou. Cansou do emprego, de ser observada e controlada por um chefe, que não era mau, mas era um chefe. E cansou do namorado, que parecia prestativo e interessado, mas que sempre deixava Carmem com a sensação de que ele era um grande egoísta. E cansou da faculdade, que como todos sabem, é quase tão inútil quanto o segundo grau. E cansou de ver gente triste e gente pobre. Todo mundo cansa. Mas Carmem CANSOU, realmente, de uma forma sem volta. Cansou da vida. Dessa coisa tão sofrida e desinteressante e sem sentido que é a vida. Decidiu que não ia pautar uma existência tão curta por regras que ela nem pôde opinar na criação. Ela ia fazer só o que valia a pena. E como um sinal divino, nuvens encobriram o verão do senegal e Carmem parou de suar. Ela foi até o guarda-roupa e vestiu roupas que valiam a pena. Escolheu como uma estrela se vestiria para um filme noir. E fez uma xícara de bom chá, importado. E bebeu em uma boa xícara, de louça com desenhos coloridos. Ela sempre gostou de chás e de xícaras, mas por falta de tempo e de companhia, nunca bebia o chá que comprava. Ela olhou a xícara bonita, despejou a água, sentiu as mãos esquentarem em contato com a xícara. Sentiu o cheiro do chá que se dissolvia no ambiente e terminou o começo desta cerimônia com o primeiro gole quente e levemente ácido. E ela foi invadida pelo prazer. Sentir o estômago esquentar devagar é uma das razões da existência. Ela se reclinou nas almofadas coloridas e olhou para os seus muitos, muitos livros. Como Carmem gostava dos livros. Cada um, um amigo com uma história dentro e uma fora. Ela sorriu e, como de costume, foi lendo uma ou duas páginas de cada, só para relembrar a história, o tom da narração, frases já esquecidas. Uma brisa fria invadia o pequenino apartamento, balançava as cortinas. Gatos subiram no sofá. Carmem era a personificação do prazer. E decidiu ficar ali. Primeiro ficou alguns minutos pensando. Decidiu hoje organizar os livros por cor, fazendo um arco-íris na estante. Amanhã poderia fazê-lo por ordem alfabética de título, ou de autor. Depois por tamanho, depois por país de origem, depois por editora, depois por ano de publicação, depois por edição, depois por língua, depois por estilo. Haveria entretenimento para todas as noites, quando os olhos estivessem cansados de ler. Ela os organizou, e bebeu o chá e se encolheu e sentiu as meias felpudas acariciando os dedos dos pés. Meias são a segunda razão da existência. Carmem então sentiu algo que há tanto tempo não sentia que nem lembrava mais. A impossibilidade de falar, a falta total da capacidade de interagir com o mundo. Ela empre se sentia assim quando criança e um calor morno a tomava e deixava tudo tão confortável que Carmem não queria mais o mundo o telefone as pessoas. Qualquer uma dessas coisas poderia lhe trazer a dita realidade, com suas irritações e encheções de saco. Ela não atendeu o telefone e quando o namorado preocupado chegou, ela não falou com ele. Ele pediu, implorou e chorou, mas ela olhava pra ele e não conseguia responder, só sorrir distraída, em estado de graça. Ela se sentia bem, e só queria que ele ficasse ali em silêncio e os dois bebessem chás e falassem amenidades sobre livros, mas ele gritava e já sacudia ela e o chá já tinha respingado. Ela não queria que ele sofresse, queria que entendesse que ela estava bem, e que não ia voltar. Seria tão bom se ele pudesse ir para junto dela… mas ele não entendia e sofria e queria saber o que aconteceu. Carmem foi sem problemas. Com suas roupas glamourosas e meias felpudas. Sorrindo e olhando para outra coisa. Ao namorado com os olhos de brilho envidraçado ela falou pela primeira vez: promete que leva todos os meus livros? Promete que não esquece nenhum? E de vez em quando eu quero ver os gatos, ta? Todos os primeiros dez finais de semana ele foi visitar Carmem, levando livros novos e os gatos. Depois conseguiu permissão especial para que os gatos ficassem com ela. Depois teve que trabalhar em um fim de semana. A vida é muito corrida. E depois nunca mais.

***

Conto publicado originalmente no site Adelaides, em 12 de janeiro de 2005.

O homem perfeito: o que as mulheres querem?

As mulheres se esforçam imensamente para tentar ser tudo o que os homens querem. Lemos textos a respeito, discutimos o assunto, dizemos que não ligamos pra isso, mas seguimos nos interessando sobre o que passa na cabeça deles. Já os dito cujos… aparentemente não estão nem aí para o que esperamos deles.

Não é bem assim. Eles ligam, apenas não querem a nossa opinião. Guiam-se pela opinião masculina a respeito do assunto. Na prática cabeça masculina, não faz sentido ficar pesquisando a respeito se é senso comum que mulheres querem o cara mais rico e com o maior pinto que elas possa encontrar, certo?

Por mais que esses gênios do relacionamento já tenham resolvido o mistério, vou humildemente dar a minha opinião a respeito. Sei que entendo muito menos do assunto do que os caras no vestiário do futebol, mas vamos aí.

Não acredito em companheiro para o resto da vida. Poder-se-ia pensar que sofri muito na mão de cafajestes e me desiludi da vida, mas não foi isso que aconteceu. Desde criança nunca brinquei de casamento nem me imaginei com uma família enorme e vários filhinhos. Cresci, homens bacanas passaram pela minha vida, morei junto com meu ex por quase seis anos e adorava cada momento, mas não planejava a velhice.

Não existe homem perfeito, nem mulher perfeita para sempre. Existe a pessoa perfeita para aquele momento na sua vida. Você não é a mesma pessoa que era há dez anos e nem vai continuar igual na próxima década e na próxima. O caso é que as pessoas mudam, e a sua cara metade de hoje e você podem mudar em direções contrárias. Não é culpa de ninguém, “é a vida”. Por mais clichê que soe.

Grandes dramas acabam surgindo da dificuldade de aceitar que o relacionamento acabou porque vocês mudaram e não encaixam mais um na vida do outro. Procuram-se culpados, motivos obscuros, quando às vezes simplesmente é hora de tomar outro caminho. Dói, é claro. Você pode continuar tendo carinho por aquela pessoa para sempre, e, em almas mais evoluídas até virarem amigos. Forçar a convivência como cônjuges acaba levando infalivelmente à raiva mútua e ressentimento.

Eu não acredito no amor? Claro que acredito! Paradoxalmente sou a pessoa mais romântica que conheço. Aceitar que o amor acaba não muda o fato de que eu gostaria que ele durasse para sempre. Vejo reportagens com casais velhinhos que passaram a vida toda juntos e ainda andam de mãos dadas por aí, com todo carinho. Essas são pessoas que, ao longo das mudanças que a vida infligiu em suas personalidades, tiveram a sorte de mudarem na mesma direção, ou em direções complementares. Sorte e trabalho duro, claro. Quem sabe eu não vou ser um deles? Não é a grande meta da minha vida, mas seria muito bom ter para sempre esse calorzinho no meu peito, essa coisa tão aconchegante de amar e ser amada.

Mesmo com todas essas mudanças existem algumas características que as mulheres sempre buscam e admiram nos homens, independente de raça cor, credo, estilo ou idade. Conseguir conciliar todas é a fórmula para ser o companheiro perfeito.

Vamos a elas:

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A fina arte de ser mulher: coisas que os homens não entendem

Diva

Apesar de todos os avanços do feminismo, ser mulher ainda requer algumas sutilizas que o masculino dispensa. Estou sempre refletindo a respeito, apesar de não falar no assunto com freqüência para não aborrecer os outros. Mas hoje estou com vontade.

Minha irmã está analisando a possibilidade de começar um pequeno empreendimento com algumas amigas. O pai de uma delas declarou que não era uma boa idéia, por ser um grupo formado apenas por mulheres. Pessoalmente consigo listar uma dúzia de motivos para se pensar duas vezes antes de começar qualquer negócio. Pelo menos doze razões para não tentar, e nenhuma delas envolve questões de gênero.

Entristece-me quando esse tipo de argumento ainda é utilizado. Nunca neguei que homens e mulheres são diferentes e lutam por seus objetivos de maneiras distintas, mas não duvido da capacidade de ninguém de obter sucesso.

Na minha profissão sofri o clichê de ter uma indicação condicionada a sexo. Ao negar, ouvi barbaridades, como a que logo vou estar feia e velha e ninguém vai me querer e estou desperdiçando uma ótima oportunidade de crescimento. Homens não precisam passar por esse tipo de situação. Mulheres passam, e muitas aceitam e “aproveitam”.

Mais um exemplo de diferença: ser mulher me impede de ter um blog e falar abertamente de sexo. Nunca poderia escrever um texto tipo “10 dicas de como fazer sexo oral”, como muitos textos que circulam na internet, e esperar ser tratada da mesma forma como homens que escrevem isso. Para os homens é ok, é normal, mesmo que ainda traga alguns estigmas e até um pouco de preconceito. Para as mulheres é simplesmente impossível. Ou a garota teria um estilo de vida completamente moderno e “maluquinho”, baseado na sua sexualidade, ou afundariam suas chances no ambiente corporativo.

Mulheres, portanto, são obrigadas a usar subterfúgios, diminutivos, justificativas e pseudônimos para situações que para os homens são corriqueiras. E para muitos deles isso passa batido. Já escutei homens declararem por aí que as mulheres são iguais aos homens em algumas situações. Bobagem. Nunca serão!

Criaturas que desde cedo são reprimidas em relação sexo e a cocô desenvolvem-se muito diferente das demais. O preconceito diz que mulheres são mais ardilosas. Claro! Uma criança que não pode dizer que vai ali fazer cocô e já volta começa a entender que na vida muitas situações, por mais simples e cotidianas, para ela serão pequenos dramas e exercícios de “jeitinho” e jogo de cintura. Logo essa fina arte torna-se intrínseca a nós e é aplicada com mais ou menos critério em todas as situações.

E os homens, ao mesmo tempo que negam o preconceito e a opressão, sentem-se confotabilíssimos na posição de super homens e protetores, e repudiam qualquer pequena insurreição. Uma pequena menção a cocô no meio de um texto ainda causa mal estar. E aí vem aquele comentário carinhoso, avisando para o meu próprio bem que não é legal citar isso como exemplo em um texto.

Muito do comportamento feminino não acontece porque a mulher prefere assim, mas porque dá menos trabalho do que bater de frente. Grande parte das mulheres são seres bastante escrotos quando estão sozinhas. Como os homens, elas dão o melhor de si para impressionar o sexo oposto. A diferença é que os homens assumem a escrotidão com orgulho, mesmo que a reprimam diante das companheiras. Para as mulheres não basta estar bem naquele momento, é necessário fazer crer que são assim o tempo todo.

Gosto da minha condição de mulher. Muitas vezes na minha infância e adolescência desejei ser menino, poder agir como eles e não precisar de tanta frescura. Demorou até eu fazer as pazes com meu gênero. Isso aconteceu quando eu vi que os preconceitos que eram apresentados a mim em uma cidade interiorana eram problema de quem os pregava, e não meus. Quando entendi que posso fazer tudo o que quiser, da maneira que preferir, minha raiva passou.

Ganhei o mundo e saí da minha cidade natal, mas fi-l0 porque qui-lo, não porque era a minha única possibilidade. Em qualquer lugar é possível desenvolver um talento, basta querer. Fugir não resolve, apenas ganha tempo para lidar com a situação. Aprendi que para ter os direitos masculinos não é necessário emular as características negativas associadas a eles, como muitas mulheres pensam. Basta ser muito mulher e acreditar em si.

Ser mulher compreende lidar com mais conseqüências, ter que se provar mais, sofrer mais dor física. Mas também traz liberdade. Entender as agruras do meu gênero não é ignorar as do outro. E hoje acho que, com os estigmas que recebemos ao longo da vida, as mulheres são mais livres que os homens. Na infância aprendemos a ter vergonha de nossos intestinos enquanto eles usam fantasias de super-homem. Para nós, o eterno negar nossos instintos primitivos. Para eles, a frustração infinita de não ter salvo o mundo.

Hello world!

O blog Pepino Azedo, a princípio, é uma coletânea de pensamentos.

Tem esse nome porque eu gosto de pepino azedo. Não confundir com conserva de pepino.