Onde acaba o passado?

Durante anos repetimos as mesmas situações: no trabalho, no amor, nas relações humanas. Algumas vezes por simples coincidência, grande parte porque, inconscientemente, buscamos esta repetição.

É fácil entender a repetição de ações agradáveis, mas a grande pergunta é: por que repetimos o que nos incomoda?

No amor: um relacionamento fracassado após o outro e a menina continua buscando caras com perfil violento, ou mulherengo, ou frouxo, ou com grande diferença de idade. Terapia seria o caminho correto para tentar entender de onde vem esta atração, mas quem não tem tempo, dinheiro ou disposição para procurar ajuda profissional pode simplificar: ao perceber que existe um padrão desagradável, mude. Simples assim. Reflita se você não está projetando no outro suas frustrações familiares, sua relação com pais e parentes.

No trabalho: você ainda repete comportamentos dos tempos de escola na sua vida profissional? De forma geral, quem sofre bulling no colégio leva para o resto da vida a sensação de inadequação, o medo de ser ridicularizado ou humilhado publicamente. Profissionais competentes congelam, sem consciência de que esta é uma reação que tem muito mais a ver com o passado do que com o momento atual.

Como lidar com isso?

A pergunta é: o passado acaba?

Anos depois da adolescência, com vida e carreira encaminhadas, ainda reagimos de acordo com o que éramos, ou achávamos que éramos, anos, décadas, atrás.

Podemos tentar compreender que as relações humanas mudam, que as pessoas mudam e que temos o poder de interromper o ciclo e fazer diferente. Ninguém está condenado à infelicidade. A qualquer momento é possível levantar a cabeça e se recusar a continuar sendo uma vítima do passado.

É fácil? Claro que não. Reverter um comportamento que se repete há anos é como começar a escrever com a mão que você não usa. Vai demorar, no começo não vai sair bem do jeito que você gostaria, mas com treino e insistência com certeza você chega lá.

O passado dos outros

Você já esteve em uma situação onde o outro teve uma reação completamente desproporcional? Ou estranha? Provavelmente está projetando em você as frustrações dele, assim como você às vezes faz com os outros. Você está pagando hoje pela relação conturbada do seu namorado com a mãe ou com os colegas na escola. É justo? Tanto quanto ele pagar pela sua frustração com o seu pai.

Por mais que todos tenhamos traumas e que estas reações sejam inconscientes, ninguém deveria pagar por um “crime” que não cometeu. As reações descontroladas de ciúmes, carência, violência etc vêm de algum lugar. Se está difícil de entender e lidar, sugira um terapeuta. Se não for possível, tente mostrar que você não estava presente nos momentos em que estes traumas aconteceram e que você é uma nova pessoa na vida dele, que quer ser e fazer ele feliz.

Tomando o controle

É impossível “zerar” o passado, mas ao entender por que algumas situações causam tanto desconforto fica mais fácil lidar.

Por exemplo: você pode entender que, por ter se sentido abandonada na infância hoje você está sufocando o seu namorado e, a partir daí, tentar controlar este impulso antes que ele canse e te abandone mesmo.

No trabalho, quanto bater aquele medo de ser inadequada, pense que você não é mais a menininha indefesa de maria-chiquinhas. Não aja como tal.

Você só é vítima se quiser. Tome o controle da sua vida e não aceite sofrer nem pelo seu passado nem pelo dos outros. Entenda de onde vêm estes impulsos e aprenda a controlá-los. É clichê, mas é verdade: você é a única responsável por sua felicidade. Não use os outros e o seu passado como desculpa para não lutar.

    • mspnet
    • 9 de Março, 2011

    Puxa, gostei muito do seu blog; o design está fantástico e as críticas são muito pertinentes;

    parabéns;

    Marcelo
    http://mspnet.blogspot.com

  1. Ana,
    Existe um livro chamado “O ciclo da Autosabotagem”, do Stanley Rosner, que é espetacular… e fala justamente sobre essa mania que temos de repetir atitudes, ainda que elas nos façam mal!
    Aliás, terapia é uma boa saída sempre, mas a pessoa é que deve decidir a hora de começar!
    Bjo,

    Paulinha

    • Interessante, vou procurar!
      Obrigada pela dica… andei refletindo a respeito durante o carnaval 🙂

    • ana maria
    • 12 de Março, 2011

    verdade eu to fazendo isso comigo!!!

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